Visão de uma lagarta ...

Essa é a Adélia. Sim, ela é simplesmente lagarta, não dessas que se transformam um dia em borboletas. Adélia não. Nasceu lagarta e assim passará seus dias, mas nem por isso se sente triste, isolada, feia, mal amada ou menor. Há tantas folhas verdes, diversos tons para saborear e rastejar pela natureza tem lá seu charme, suas aventuras...e Adélia adora aventuras, como deslizar pelas folhas após uma noite de orvalho, como brincar de esconde-esconde por dentre as folhas secas.E experimentar novos sabores e deliciar-se ou enojar-se com folhas amargas; afinal a vida tem também seus dissabores que nos fazem aprender e da próxima vez bicar só um pedacinho, não mais se fartar daquilo que não conhece!Adélia, tem também seu amor, Sérgio, um amor leviando é verdade! Contudo vale a pena se arriscar.Sérgio é um lagarto sarado, aventureiro que some às vezes, se embrenhando nos troncos das árvores, arriscando-se frente aos gaviões da floresta, ousadia é seu nome.Adélia não, mais contida, somente caminha por ali, no máximo faz incursões às samambaias das redondezas e ouve as crianças dizerem que um dia ela virará borboleta.
Doces ilusões infantis - pensa Adélia - nem todas as lagartas são predestinadas a tornarem-se borboletas e também ser borboleta não é sinal de felicidade plena. Borboletas também tem seus dias tristes e predadores e desgastes existenciais.
E lagartas? Bem, essas tem muita história pra contar, sem a preocupação com a beleza do bater das asas, as lagartas se divertem no escuro da noite, confundidas com a relva, formam clãs, se espreguiçam à vontade e recebem carinhos das crianças e adultos sutis que não se ocupam somente das formas, mas da beleza da natureza como um todo.Há muito trabalho para manter-se viva, há perdas, algumas amigas tornam-se borboletas e nunca mais voltam para contar suas histórias, outras são devoradas; mas a vida tem dessas coisas, partidas e chegadas.Adélia, tem suas crises, suas solidões e saudades de Sérgio, mas aprende com a vida e apesar de ser lagarta sempre, tem certeza que faz o seu melhor e que a vida é pra ser vivida e não lamentada.Afinal existem muito mais lagartas que borboletas e se Deus assim o fez, há lá diversas vantagens em ser comum, viver a vida e mais nada.
Doces ilusões infantis - pensa Adélia - nem todas as lagartas são predestinadas a tornarem-se borboletas e também ser borboleta não é sinal de felicidade plena. Borboletas também tem seus dias tristes e predadores e desgastes existenciais.
E lagartas? Bem, essas tem muita história pra contar, sem a preocupação com a beleza do bater das asas, as lagartas se divertem no escuro da noite, confundidas com a relva, formam clãs, se espreguiçam à vontade e recebem carinhos das crianças e adultos sutis que não se ocupam somente das formas, mas da beleza da natureza como um todo.Há muito trabalho para manter-se viva, há perdas, algumas amigas tornam-se borboletas e nunca mais voltam para contar suas histórias, outras são devoradas; mas a vida tem dessas coisas, partidas e chegadas.Adélia, tem suas crises, suas solidões e saudades de Sérgio, mas aprende com a vida e apesar de ser lagarta sempre, tem certeza que faz o seu melhor e que a vida é pra ser vivida e não lamentada.Afinal existem muito mais lagartas que borboletas e se Deus assim o fez, há lá diversas vantagens em ser comum, viver a vida e mais nada.
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